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Post 162

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012.







Respingos quentes de suor se estilhaçam no painel motorizado daquela coisa. O único chão ao qual me dá direito, nesse instante, é artificial, é limitado e não me oferece verdes paisagens e nem a oportunidade d’eu saudar pelo caminho alguns de meus conhecidos ou promover em meus desafetos a ilusão de uma saúde sólida e de ferro. Atrevido que sou, desafio a máquina e seus números quadradamente vermelhos, digitalmente híbridos. Resisto ao seu aço: cinco quilômetros impostos e percorridos. O espelho logo a frente me entrega a imagem refletida: um ser úmido, encharcado de coisas que não se contam facilmente, de poemas inacabados, de projetos pelas metades, de amores instáveis e de amizades que serão para sempre. Há quanto tempo estou aqui, correndo, ouvindo essa música e pensando em todas essas coisas? Não há que se xingar ou amaldiçoar a esteira, afinal muitas vezes, fora dela, também se percorre vários caminhos para depois, e só depois de algum tempo, descobrir que não saiu do lugar nem mesmo um milímetro. As coisas são assim mesmo__ pode-se até criar lendas ou mitos, mas não há como evitar de se caminhar em vão de vez em quando...mesmo tendo o sangue grosso e quente nas veias. Em contrapartida nos surpreendemos ao aprendermos coisas importantes que nos poupam milhas e milhas. Entender isso já nos economiza ao menos tempo. Não quero aprender nada que dissolva meus sonhos, não quero andar em trajetos que não valham a pena, não quero amigos e bebidas falsificados, não quero aprender a amar o lado gótico da vida, apesar de sempre respeitá-lo. Alguém sabe o jeito certo que se caminha? Vale a pena caminhá-lo?

Chegue mais tarde hoje, meu amor, quero ficar mais tempo com a criatura em que me transformo quando estou sozinho. Quem sabe quando você voltar já saberei responder a todas as perguntas que me fez e que ainda não te dei respostas. Quem sabe eu possa te mostrar certa lógica quando eu te digo que alguém escreveu torto em minhas poucas linhas retas. Quem sabe eu possa explicar por que eu gosto tanto de reticências. 

Quem sabe eu possa te falar de coisas que vivem por debaixo da minha pele.






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Post 161

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011.






Acordei numa gargalhada frenética que não cessava. E ria e ria e ria e reticências...daqui a pouco eu conto o motivo.

A semana me ofereceu um curso completo sobre como as pessoas perdem seu precioso tempo com fofocas, radioatividades, falatórios sem sentido, pesticidas, orgulho, palavrinhas ditas baixas, sorrisinhos suspeitos e outras bactérias soltas neste nosso ar poluído. Mula empacada e decidida a fazer as coisas do meu jeito, sempre carreguei minhas cargas dando meus coices sagrados em queixos um tanto quanto alheios, de gente invejosa e desprevenida. Eu sou à prova de sabotagem, gente__é fato! Não adianta beicinhos ou olhares de esquina.


Aos meus credores o meu respeito e o meu dinheiro assim que possível__não morrerão enquanto isso, podem apostar suas fichas. Fiquem calmos__ a ordem é minha! Se já não pago, pagarei de um modo ou de outro. Respirem !!!

Algumas pessoas têm uma certa dificuldade em ver um pouco de alegria nos olhos dos outros. Eu só queria ver quando todos nós fôssemos carregados para o cemitério__um bando de sem noção que viveu alguns meros anos no único lugar do Universo aonde fomos aceitos, onde comemos, bebemos, perdemos gols, suamos a camisa para fazemos uns churrasquinhos aqui e acolá, conhecemos gente, nos enrugamos todos com o passar do tempo e depois viramos lama após tudo se resumir num último suspiro: grande coisa que nós somos. E ainda perdemos sono achando que somos muito.

Mas hoje eu acordei dando gargalhadas que ecoaram nessa minha casa enorme que Deus me deu enquanto eu estiver pagando. Era eu acordando de um sonho onde  desejava um feliz 2012 a todos estes que perderam uma semana de suas vidas se ocupando cuidadosamente da minha__ meu muito obrigado pela presteza e interesse e carinho! 

A cara deles é o motivo do meu riso. Yes, eu também can, amigo Obama !!!

KKKKKKKKKKKKKK





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Post 160

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011.










Me proibi de pensar em alguma outra coisa que não fosse me entregar deliberadamente àquela mancha verde feita de mato, resquícios de esperança e de  um amarelo vivo vindo das flores. Sem dúvida, um tapete divinamente macio e que me entregava o céu toda vez que eu abria meus olhos. Ali naquele instante não cabia nem mesmo o barulho hipnótico e gostoso do Mar com seu cheiro libidinoso, proposital e eroticamente salgado. De hoje em diante abandonarei sofás, colchões, pretéritos sem coração pulsante e outros sintéticos que sempre me tiraram o dinheiro, o sono e a paz. Abandonarei um pouco das lições de como ser civilizado e experimentarei as coisas que me vierem por instinto ou por um fio ou por um brilho ou por um lábio. E se eu me arrepender simplesmente talvez eu chore e sofra ou até sorria... eu nunca soube prever minha reação nas vezes em que a jugular de meus sonhos foi mortalmente golpeada e ferida. Só uma coisa é certa: estarei vivo e com grandes bíceps na mente... lugar certo para eles. Quando eu me levantar daqui me permitirei sentir, dentre outras coisas, o gosto e o prazer de me surpreender e de tomar sustos de vez quando e esquecerei um pouco de minha Matemática com suas fórmulas exatas, aonde até mesmo as raízes são quadradas. E nada será melhor do que abandonar momentaneamente os movimentos limitados dos olhos e me aventurar pelo pensamento denso, convidativo, onde minha alma finalmente fure a fila e tenha os orgasmos que me eram destinados ao corpo. 

Estou pensando seriamente em hibernar nessa grama e ver quem ousaria dizer que aquele ali não era um momento feliz.








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Post 159

terça-feira, 22 de novembro de 2011.


Talvez ele quisesse sair mais fortalecido com a última conversa que tivemos, talvez ele quisesse me dizer algo, talvez ele estivesse com aquele receio que antecede as premonições nunca bem-vindas__ dúvidas que carregarei comigo. O momento era caricato: tudo não passava de uma mera sombra do que havíamos sido. E embora ficamos felizes quando nos vimos, não houve aquela alegria de nossos saudosos tempos antigos, tão presente em outros reencontros. De certo, apenas que ainda éramos amigos... e muito e como e tanto!!!

A conversa foi breve, sem muito riso. Falávamos sobre coisas supérfluas, sem nos aprofundarmos em nenhum assunto específico. Depois que o instante passa, e só depois que ele passa, a gente tem essa mania de ficar analisando tudo, os detalhes mais mínimos, os gestos mais imperceptíveis e todos os miúdos. Hoje eu sei que, na verdade, estávamos era tristes, sem brilho, nos despedindo tímida e silenciosamente um do outro, mesmo que não tivéssemos plena consciência disso naquele minuto. Eu não tenho dúvida alguma quanto a isso__ estávamos, sem saber, já carregando conosco, em nosso corpo, o vírus da saudade que se seguiria.

Como sempre fazia, me acompanhou até ao portão, mas dessa vez, e só dessa vez, não me perguntou quando eu voltaria. Um abraço e um aperto de mão selou meu último encontro com meu grande amigo naquela rua chamada Rua Do Vaga-Lume.

Sessenta dias depois novamente eu o vi... apenas para me despedir__ ele havia partido para sempre. Me deixou uma estranha saudade que caminha comigo. Uma saudade que copia sua voz, veste suas mesmas roupas e ainda por cima também me chama de melhor amigo.


Homenagem ao meu Eterno Amigo ELIEZER ALMEIDA SILVA, a quem Deus deu asas em 28/10/2011.





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