Março de 2009 por Will Lukazi

''Já fui Caminho, já fui Paisagem e hoje eu sou Destino ''

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domingo, 14 de novembro de 2010.


A piada foi contada dentro do bar, mas ele riu assim mesmo, mesmo estando lá do lado de fora, no meio da calçada. Ele não participava da conversa, contudo não quis perder a oportunidade, rara ,diga-se de passagem , de participar daquele momento de alegria e descontração.Estava sujo e maltrapilho, roupas rasgadas, talvez havia oito dias que não tomava banho__não menos do que isso. Da calçada de onde estava ouviu uma piada e riu,mas não apenas riu, ele também direcionou o olhar aos rapazes da mesa como se quisesse dizer '' ei, eu estou aqui, ouvi sua piada e estou rindo. Eu existo.Eu existo."Era um homem de idade mediana, embora a barba mal cuidada e o cabelo há tempos abandonado lhe ofereciam uma aparência de uns 55 anos. Trajava uma calça jeans azul toda rasgada ( não, não era moda, era excesso de uso mesmo), uma camisa amarela, de gola pólo e um par de chinelo de dedo já bem desgastado. Junto a ele estava um saco, provavelmente com seus pertences.Os únicos. Me sinto mal ao lembrar que olhei para ele assim que ele riu da piada, e ele ao perceber que eu o olhava , baixou a cabeça e se calou como se tivesse sido capturado,como se sentisse que eu havia descoberto aquela vã tentativa de inserção social farsante. Teria sido melhor eu fingir que nem estava ali e tê-lo deixado sonhar mais um pouco. A realidade já é dura o bastante para ele. Este tipo de solidão encontrada nas calçadas é uma psicose comum hoje em dia.Aquele mendigo falava sozinho, talvez imaginando um amigo que não existia. E lá se foi ele rua a fora procurar novas calçadas, novos bares , novas piadas alheias, de preferência sem um sensitivo, como eu, por perto. Abraço ao irmão mendigo, eu também já ri muito das piadas dos outros.





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